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Cidadania

IDOSO: o olhar de quem cuida

Respeitar o idoso é uma obrigação legal de todos

16/12/2019 10h50Atualizado há 1 mês
Por: Fátima Oliveira
Fonte: Reportagem: Fatima Oliveira
Fonte: Fátima Oliveira
Fonte: Fátima Oliveira

A Casa de Cuidado do Idoso, situada em Jaguaquara-BA, é uma instituição  que se dedica a cuidar das pessoas que estão vivenciando a terceira idade, àquelas que, de acordo, com a Organização Mundial de Saúde (OMS), já completaram 60 anos.

Em funcionamento há quase cinco anos, a Casa possui atualmente vinte sete residentes oriundos das cidades de Jequié e do Vale do Jequiriçá, a exemplo de Maracás, Lajedo do Tabocal, Planaltino, Irajuba, Jaguaquara e Itaquara.

A rotina dos idosos inclui cuidados com a saúde, como terapia ocupacional, e palestras com nutricionistas, assim como, celebrações religiosas e momentos de lazer, em que eles têm a oportunidade de expressar sua arte, através de instrumentos musicais e dança.

Segundo a coordenadora Maria Sônia Souza, que se considera uma apaixonada pelo trabalho, 90% dos idosos que vão passar uma temporada na casa, não retornam aos seus lares, muitos desejam a independência. De acordo com a mesma, o trabalho da equipe é dá o máximo de dignidade aos idosos e evitar a vitimização:

“Acima de tudo, é dá muito carinho, a base daqui é o carinho, depois vem o respeito, o respeito à individualidade. A gente respeitar o momento de cada um e criar este vínculo de amizade, de sociabilidade, e introduzir também no meio social.”

Para a sra Laudelina Souza (91), residente há três anos, natural da localidade de Deus Dará, na zona rural do município de Jaguaquara, o seu dia-a-dia na casa “É feliz! Graças a Deus, eu sei viver com todo mundo”.

Sociedade e Inclusão

Quando se relaciona ao modo como a sociedade se porta frente ao idoso, a coordenadora expõe a situação do município de Jaguaquara, onde há muitos casos de maus tratos e abandono ao idoso, ela conta, que muitas vezes quando chega ao conhecimento da justiça a situação já está insustentável.

Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil, em 2030, terá a quinta maior população idosa do mundo. Segundo a Srª Maria Sônia apesar destes números, a sociedade não está preparada para lhe dá com esta realidade, e isso precisa ser modificado, “é algo que precisa ser trabalhado na família, que é a base, depois na escola e na sociedade.”

A coordenadora ainda denuncia que o descaso ao idoso é constatado nas próprias instituições e órgãos públicos, que deveriam cumprir o Estatuto do Idoso. Cita como exemplo, a morosidade nas aposentadorias e a burocracia em atendimentos bancários, e completa:

“Infelizmente, nós não fomos criados para lidar com essa realidade de idoso em casa, de um deficiente, não foi; infelizmente a gente pensa numa família, numa casa onde todo mundo é “normal”, em um padrão dito normal; só que aí a gente esquece que acidentes acontecem e que alguém pode ir para a cadeira de rodas (...), a gente esquece que o pai, o avô e o tio vão ficar idosos.”

Kaiane Reis, assistente social da Casa, explica que nesta fase da vida, as pessoas se tornam sujeitas à solidão, e expõe que uma das suas preocupações é o fortalecimento dos vínculos familiares dos idosos. Segundo ela, é de extrema importância resgatar estes laços:

“É um âmbito enfraquecido que a gente pode melhorar e eles sentem muita falta, uma das coisas que eu mais observei: por mais que aqui tenha todas as condições pra viver bem, a ausência da família persiste; então a gente tem que trabalhar em prol de suprir esta ausência”.

A assistente social entende ainda, que é necessária a inclusão dos idosos em todos os âmbitos sociais. Conta que muitas vezes percebe que eles tem curiosidade com relação à tecnologia. Ela diz, que seu trabalho visa à promoção de atividades sociais que envolvam práticas educacionais, esportivas, de lazer, que respeite a cultura de cada um, a espiritualidade, a autonomia:

“Promover a inclusão deles, não só com quem é idoso, mas com adolescente, criança, essa articulação é necessária. Eles precisam estar envolvidos em todos os âmbitos, nas questões culturais de nossa sociedade, políticas; eles precisam estar ativos, informados, isso é fundamental. Não é porque é idoso que deixou de ser cidadão; observar a garantia dos direitos a eles atrelados em todos os campos é de suma importância”.

Respeitar o idoso é uma obrigação legal de todos, prevista na Lei no 10.741/03 que estabelece o Estatuto do Idoso. Em seu Art. 3o dispõe: É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho".

A Casa de Cuidados do Idoso que em breve será chamada Casa de Cuidados do Idoso Adriano Shibasaki em homenagem a memória do empresário, conta com doze funcionários, entre nutricionista, técnico em enfermagem, cuidadores, limpeza e cozinha, que são mantidos com recursos das aposentadorias dos residentes e também através de doações da comunidade.

A Casa de Cuidados do Idoso está situada à Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, nº 376. É aberta a visitação da comunidade todos os dias das 14h as 17h.

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