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JAGUAQUARA - ESCOLA DE IDIOMAS - (Cota Fátima Oliveira)
Consciência Negra

Dia da Consciência Negra: um olhar sobre a Comunidade Quilombola de Jaguaquara

As carências sociais se manifestam na falta de acesso ao saneamento básico, moradias precárias, analfabetismo, extrema pobreza, ausência de infraestrutura básica

20/11/2019 06h00Atualizado há 3 semanas
Por: Fátima Oliveira
Fonte: Reportagem: Fátima Oliveira
Foto: Fátima Oliveira
Foto: Fátima Oliveira

Situada às margens da antiga linha férrea de Jaguaquara, no bairro Casca, a comunidade Ocrídio Pereira dos Santos é constituída por remanescentes do Quilombo. A comunidade abriga cerca de 30 famílias que vivem em condições de vulnerabilidade social e econômica.

As carências sociais se manifestam na falta de acesso ao saneamento básico, moradias precárias, analfabetismo, extrema pobreza, ausência de infraestrutura básica, entre outras. Além disso, segundo a Defesa Civil, o espaço atualmente ocupado é considerado área de risco.

A renda per capita é formada por aposentadorias, benefícios sociais e trabalhos eventuais, a exemplo de colheitas de café em fazendas. Para a professora Luiza Souza Gonzaga, historiadora e voluntária na comunidade:

“O preconceito impede o trabalho nas casas de família e a timidez, a participação em projetos na escola do bairro onde os filhos estudam”.

O que a comunidade deseja? "Casa pra morar e terra pra plantar", é o que diz a Srª Anália de Jesus, presidente da Associação de Moradores Ocrídio Pereira dos Santos. Segundo ela, apesar dos seus esforços e das viagens que tem feito em busca de melhorias, a comunidade enfrenta muitas dificuldades:

“Nós queremos outra área, porque aqui nós não temos espaço, nós deseja plantar, nós deseja criar bichos, trabalhar pra si, fazer roça com esses jovens, tem muito jovem aqui na comunidade, (...), a gente precisa plantar pra gente sobreviver, a gente não tem terra, como vai plantar?”

Dilcimara Santos de Jesus, historiadora, psicóloga e psicopedagoga, desenvolve na comunidade o projeto “Maria: uma dádiva de Deus”,em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA). O projeto objetiva a valorização da mulher, bem como o fortalecimento do seu papel na sociedade.

Segundo ela, a falta de um centro, que seja referencial para a integração da própria comunidade local e de outras vizinhas, dificulta o trabalho de inclusão social:

“Não há um espaço para realização de mini-oficinas que trabalhem a sua cultura em seu contexto social (...). O nosso país tem um pólo rico que é a diversidade cultural, mais infelizmente, como historiadora, me entristece, porque nós estamos perdendo a nossa cultura brasileira”.

A Comunidade Ocrídio Pereira dos Santos é uma das 736 comunidades Quilombolas do estado da Bahia, certificada pela Fundação Cultural dos Palmares em 2013.

A certificação é o primeiro passo para o processo de titulação da terra realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No entanto, não há na Bahia nenhuma comunidade que tenha o título definitivo de propriedade da terra.

Segundo o Incra, as comunidades quilombolas são grupos étnicos, predominantemente formados pela população negra, que se autodefinem a partir das relações específicas com a terra, o parentesco, o território, a ancestralidade, e as tradições.

20 de novembro no Brasil é uma data onde se comemora o Dia da Consciência Negra. A data faz referência a morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo de Palmares, que lutou para preservar o modo de vida dos africanos escravizados que conseguiam fugir da escravidão.

Reconhecer a importância dos afrodescendentes na formação histórica da sociedade brasileira é fundamental para a superação das diversas formas de preconceito e exclusão social.

Agradecimentos:

Anália de Jesus, presidente da Associação.

Dilcimara Santos de Jesus, historiadora, psicopedagoga e psicóloga.

Luiza Gonzaga, historiadora.

Secretaria de Desenvolvimento Social de Jaguaquara

 

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